Resenha por Leonardo Augusto
26 de junho de 2004
Chega mais freguesia, promoção especial hoje: pague seis e leve meia dúzia. Se o pregão não é lá tão original, nossos produtos são únicos no mercado, adquiridos junto aos melhores fornecedores, sem atravessadores. Vamos pois aos destaques da semana, marcada pela passagem de Leonel Brizola, após uma admirável carreira política, mas tarde demais para evitar um polêmico palpite sobre os hábitos etílicos do presidente. Ofertamos hoje uma seleção de diferentes carnes exóticas, mas com alguma coisa em comum.
Cordeiro: Vivo!
Uns trinta e poucos na Laser do Centro da Praia
Depois de uma seqüência matadora de discos, o Genesis em sua formação mais clássica ? Tony Banks nos teclados, Micheal Rutherford no baixo, Steve Hackett nas guitarras, Phil Collins na batera e Peter Gabriel no vocal e interpretações, elaborou uma das maiores obras do Rock Progressivo: The Lamb Lies Down on Broadway. Não que os anteriores Nursery Cryme (71), Foxtrot (72) e Selling England by the Pound (73), não tenham sido marcos do estilo, mas com o álbum conceitual, de 74, eles atingiram um grau de maestria nas composições, na técnica e na maluquice sem precedentes. Tanto que Peter Gabriel se deu por satisfeito e pulou fora. Sem falar que, salvo engano, foi o primeiro conceitual duplo, além de ser muito mais denso e criativo que o badalado The Wall do Pink Floyd (que não é nem o melhor deles).
Pois eu mal começara a conhecer a banda (ou essa fase dela) e, em férias em Vitória, me deparo na Laser (a gigante capixaba do varejo de música) com The Lamb Lives, um pirata com o disco inteiro ao vivo. Como tinha acabado de arrematar o Foxtrot, desencanei. Mas quando voltei lá meses depois, lá estava ele me esperando; não titubeei. O disco me alucinou completamente. A primeira providência foi providenciar as letras.
“This is the story of Rael” introduz Gabriel. E lá se vão 24 canções contando a saga de Rael, adolescente rebelde e arruaceiro que se vê de repente transportado para um mundo mágico onde passa por vários apuros e encontra seu irmão John, que ele deve salvar, apesar de sua relutância. No fim, quando ele consegue, John tem o seu rosto. Na minha interpretação, a viagem é uma parábola para a vida, na qual o herói encontra todos prazeres e percalços como o sexo, o medo, o afeto, a desorientação, o conforto, o cárcere, a aventura, a castração, o alívio e a Morte (na pessoa do Anestesista Sobrenatural). E é claro que é a ele mesmo que ele tinha que salvar. O bacana é que a gravação traz trechos de explicação e arranjos amadurecidos, portanto é ainda melhor que a versão de estúdio. Como se não bastasse, eles ainda têm pique pra mandar The Musical Box, clássico do Nursery Cryme.
É uma enorme lástima que não haja material em vídeo desse show, já que há uma componente teatral muito forte, característica dessa fase do grupo. No encarte há três fotos que deixam só um gostinho…
Coração: Espanhol
Uns trinta e poucos no (quase extinto) Coreto Musical.
Quando eu comecei a descobrir o emipetrez, digitei lá Chick Corea, e me veio o arquivo Armando?s Rhumba, creditado a Corea, Stanley Clarke e Jean-Luc Ponty. Esta deliciosa canção me acompanhou em várias madrugadas de navegação pela rede, entrando sub-repticiamente no meu inconsciente musical. Um dia, de bobeira no IFCH, passeava os dedos pelos discos do Nilsão e lá estava: Chick Corea My Spanish Heart, numa linda embalagem que me atraiu. Para minha surpresa, a faixa 9 era a própria. Visitando o encarte, descobri que além dos três acima, Don Alias e Narada Micheal Walden estavam na Rhumba do Armando. Pra matar a pau, o disco ainda tem o venerado batera Steve Gadd, e os doces vocais de Gayle Moran. Como o preço estava salgado, deixei escapar.
Meses depois, parei no Tilli Center, de bobeira mais uma vez, e descobri que o Coreto Musical estava em liquidação, por motivo de encerramento das atividades. Pelo visto já tinha perdido muita coisa boa, mas quem estava lá me esperando? O Coração Espanhol do nosso amigo Chico Corrêa. De cinqüenta e tanto por trinta e pouco. È meu!!!
Apesar de o texto dizer que Corea se cansara do fusion, preferindo fazer música tradicional espanhola, ainda estão lá os sintetizadores característicos do Return to Forever, além de Clarke e Moran, e a música Spanish Fantasy, que estão no RTF The Complete Concert, disco que comprei também no Coreto. Mas o foco é todo na tradição do país ibérico: o flamenco, a herança moura, a promiscuidade entre o erudito e o popular. Enfim, um disco antológico, numa edição remasterizada com direito a faixa bônus e uma arte gráfica caprichada.
Em tempo, alguém resolveu assumir o Coreto Musical, que não fechou. Mas promoção agora tá difícil…
Titulo: Quitanda do Leo 26/06
Autor: Leonardo Augusto
Gênero: Resenha
Data de publicação: 26 de junho de 2004
Resumo: Especial de carnes.
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esta última feira esteve pra lá de exótica. []’s