Resenha para Prometeu Acorrentado 1

Resenha por Leonardo Augusto
10 de abril de 2006

A tragédia grega era, mais que uma forma de arte, uma catarse coletiva. Como naquele tempo ainda não havia psicoterapeutas, ela era usada para sublimar o sofrimento da platéia, já que as personagens no palco sofriam tanto que todos voltavam para suas casas mais tranqüilos. O assunto favorito de tais composições eram os mitos de criação, seja do mundo ou das cidades-estado que compunham a fértil civilização que floresceu na península grega e circunvizinhanças.

Ésquilo foi quem assinou “Prometeu Acorrentado”, trama que teria poucas chances de ser adaptada em Hollywood, para a sorte da memória de Ésquilo e do próprio cinema. Mas antes vamos nos situar um pouco.

O mito de Prometeu aborda a Antropogonia (criação do ser humano) segundo a mitologia grega, que é fundamentada em Homero (Ilíada e Odisséia) e na Teogonia (origem dos deuses) de Hesíodo. A cosmogonia (origem do universo) grega não é antropocêntrica e monoteísta como a judaico-cristã ? na qual um só Deus, representante do Bem, cria, no sexto dia, um ser à sua “imagem e semelhança”, mas nada diz ? mais do que “No princípio era o Verbo” ? sobre o dia zero, ou antes disso. Aquela é bastante rica de símbolos e dotada de uma lógica menos simplista que o maniqueísmo característico desta tradição, que viria a ser imposta de forma brutal mundo afora, dezenas de séculos depois da civilização helênica.

Nela, o universo partiu do Caos Original. Impulsionados pelo Eros (amor) Original, surgiram Érebo (sombra) e a Noite. Da Noite nasceram o Éter e o Dia, ao qual Gaia iluminou, prenhe e enamorada de Érebo. Gaia dá feição à Terra organizando, de acordo com seus pesos específicos, o Ar, a Terra, a Água o Tártaro ? prisão subterrânea ? e o Éter (conceito associado a Firmamento, que só foi cientificamente descartado há pouco mais de um século).

Gaia engendrou as Montanhas, as Ninfas, e também Ponto, de asas agitadas; mas, principalmente, Gaia engendrou Urano (Céu) com suas mesmas proporções, para que a contivesse por todas as partes. Veja: a Terra cria o Céu e não o oposto. Não satisfeita, a vadia se amaziou com o próprio Urano e com ele teve, incestuosamente, lindas crianças de nomes exóticos como Arges, Brontes e Steropes, Briareus, Gies e Cottus. Excêntrico esse Urano: de seus genitais se fez Afrodite, que dispensa apresentações; de seu sangue se fizeram gigantes, ninfas e outros bichos. Sem falar que dessa união nasceram os Titãs. (Não a banda de rock, essa turma mitológica sofria mas não teve que suportar os anos oitenta, pelo menos).

Falo de Jápeto, por exemplo, que conheceu uma linda moça chamada Climene, com quem teve um rebento problemático do qual já falaremos. Dessa geração são ainda Oceano e Tétis, ligadas à água dos mares e rios, Cirus, Ceo e Febo, Mnemosine (símbolo para memória), Hipérion e Tia, Têmis, Réa e Cronos. Este se rebelou contra o pai despótico, Urano, instituindo a dinastia dos Deuses Olímpicos.

São eles: Héstia, Hades, Demétrio e Poseidon, além de Hera e Zeus. Esse casal perfeito, bem sucedido e poderoso (ainda que também incestuoso) não saía da coluna social do Olimpo. Isso depois que Zeus deu um Golpe de Estado, derrubando o pai mais uma vez e garantindo os privilégios para a sua Nomenklatura.

Aqui chegamos ao Prometeu. A etimologia de seu nome pode ser compreendida como “o previdente”, ou como diria o Galvão Bueno, “Eu já Sabia!” Ele era aquele filho esquisito de Jápeto e Climene. O rapaz tinha uma cabeça até boa, mas cheia de pensamentos subversivos. O coitado era um revoltado, tadinho. Mas bem que ele apoiou Zeus em seu coup d´état olímpico. O problema é que depois de assumir, Zeus mudou o discurso: queria criar uma raça para substituir os humanos que Prometeu criara. Ah é, em algum lugar no meio do caminho nós fomos criados. Sentindo-se traído, ele entrou de fininho no Olimpo e zupt! Roubou o fogo que era exclusividade dos deuses, foi lá e entregou aos humanos.


Titulo: Resenha para Prometeu Acorrentado 1

Autor: Leonardo Augusto

Gênero: Resenha

Data de publicação: 10 de abril de 2006

Resumo:

Viajando sobre a tragédia grega.

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1 Comentário

  1. Alexandre Piccolo disse:

    ainda bem que você disse que é “Viajando sobre a tragédia grega” - e põe viajando nisso!

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