Tradução por Alexandre Piccolo
14 de junho de 2004

Em dezembro de 1945, Gillespie contratou Parker para um encontro em um clube noturno de Los Angeles. Foi na longa estadia de Charlie Parker na Califórnia que seu vício em heroína alcançou o ponto crítico. Enquanto gravava a faixa “Lover Man”, Parker estava sofrendo os sintomas da abstinência, resultado que pode ser ouvido na canção. Estava em curso um completo desastre e nesta mesma noite Parker foi preso depois de um incêndio iniciado em seu quarto de hotel. Ele foi transferido para hospital estadual de Camarillo, onde gradualmente convalesceu.
Parker foi solto em 1947 e logo voltou a Nova Iorque, onde formou seu mais famoso quinteto em que dividia a liderança com Davis. Apesar do grupo ter tocado um repertório variado, uma das maiores realizações foi a gravação de uma série de músicas populares americanas tocadas em ritmo de balada. Provavelmente o mais conhecido destas gravações é o solo de Parker na primeira parte de "Embraceable You", de George Gershwin. De fato, Parker nunca se situa na melodia original, preferindo abrir para um motivo desconhecido de seis notas (que, como apontou o crítico Gary Giddins, é uma referência à canção popular “A table in a corner”, de 1939). Nos primeiros vinte e cinco segundos de seu solo, aproximadamente, Parker desenvolve esta melodia de seis notas enfeitando-a, transpondo-a, afastando-se e reaproximando-se do tema.
A maestria de Parker não se limitava aos ritmos rápidos e as performances em baladas; ele foi um dos mais arraigados músicos de blues no jazz, como “Parker?s Mood” mostra. Seu solo é, ao mesmo tempo, concreto e abstrato, simples e fantasioso.
Ao final dos anos 40, Parker gradualmente se tornou insatisfeito com sua música e sedento por novos arranjos. Ele admirava a música clássica européia do século vinte e, como primeiro passo, sua gravadora tinha um grupo de canções populares Americanas arranjadas para cordas e uma seção rítmica de jazz. A melhor destas gravações foi “Just Friends”, em que Parker improvisa com brilhantismo do começo ao fim sobre um arranjo de cordas que mais se parece com trilha de filme de Hollywood que com a música moderna de que Parker tanto gostava. Seus desejos mais ambiciosos de estudar composição e sax na Europa e de ter trabalhos clássicos inéditos compostos para ele nunca foram realizados.
Se tal estudo teria ajudado Parker a superar seu universo artístico é impossível saber. Ele era na essência mais um improvisador que um compositor. Em todo caso, os maus hábitos de Parker forçaram um declínio gradual em sua saúde, e nada mais forte limitou sua habilidade de evoluir artisticamente. Em 1953, numa entrevista pela rádio a John McLellan, Parker falou sobre o futuro:
“Veja, como, suas idéias mudam quando você fica mais velho. A maioria das pessoas não se dá conta que a maioria das coisas que elas escutam, ou saindo direto de um sax, ou outras coisas que foram compostas, você sabe, assim, coisas originais, quero dizer, elas são só experiências. Como você está se sentindo, a beleza do tempo, a bela paisagem de uma montanha, talvez uma fresca lufada de ar. Quero dizer, todas essas coisas ? você nunca pode dizer o que vai estar pensando amanhã, mas posso dizer definitivamente que a música não vai parar, ela irá sempre adiante.”
Titulo: Charlie Parker – parte 2
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Tradução
Data de publicação: 14 de junho de 2004
Resumo: …continuação, com mais um ‘tiquinho’ de jazz, de um exercício de tradução.
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Legal, AlÊ. Essa é uma biografia e tanto… Viva rápido, morra jovem!