Tradução por Alexandre Piccolo
24 de novembro de 2003

O nome Dizzy Gillespie significa diferentes coisas para diferentes pessoas. Muitos consideram-no o mais importante virtuoso no trompete, outros valorizam suas inovações estilísticas, outros acham-no o mais empolgante bandleader, enquanto alguns apreciam a apoteose empresarial e o humor que compunham integralmente sua performance.
Todos estes fatores ajudaram a prolongar e manter uma carreira que durou por quase sessenta anos e que dificilmente parecia possível quando Dizzy a iniciou nas periferias da cidade de Cheraw, na Carolina do Sul. O mais jovem das nove crianças, cujo pai era um pedreiro (e músico amador), foi batizado John Birks Gillespie, nasceu em 21 de outubro de 1917 e viveu sua adolescência nos anos da "Grande Depressão". Foi um estudante brilhante e completou seus estudos no erudito Lauringurg Institute, a quarenta e oito quilômetros longe de casa, onde recebeu sua primeira tutoria no trompete. Aos 18 mudou-se para Filadélfia com sua mãe viúva e logo se envolveu na movimentada cena musical do local, onde ganhou o apelido Dizzy por suas brincadeiras exóticas e irreverentes.
Encorajado por seu amigo de trompete Charlie Shavers para ir à Nova Iorque em 1937, Dizzy encontrou trabalho na banda de Teddy Hill, com quem vistou Paris e Londres. Sua forma de tocar evoluira de um enfoque inspirado em Louis Armstrong e mostrava forte influência de Roy Eldrigde. Dois anos mais tarde, quando juntou-se à prestigiosa banda de Cab Calloway, havia já mostras do futuro estilo de Dizzy Gillespie. Antes das relações se azedarem e Gillespie ser demitido (injustamente acusado de romper o negócio da banda com um teatro para apresentação), Calloway havia já gravado duas de suas composições originais. Uma delas, "Pickin' the Cabbage" foi identificada na autobiografia de Dizzy, "To Be or Not to Bop", como a primeira de uma longa série de músicas, incluindo a famosa "A Night in Tunisia" e "Manteca", que demonstrava seu interesse em combinar jazz e música latino-americana.
Nos anos seguintes, enquanto mantinha trabalhos em diversas bandas, dentre as de Benny Carter e Earl Hines, Gillespie aprefeiçoou uma completa nova abordagem de improvisação no trompete. Ele adquiriu uma invejável facilidade, em especial em esquecidos tons altos, e constantemente usou frases de comprimentos desiguais e notas de escolhas pouco usuais, influenciado tanto pelo compositores europeus modernos como pelos ritmos latino-americanos. O período com Hines foi deveras significante (apesar de não registrado em gravações) porque representa o primeiro período contínuo no qual Gillespie tocou todos os dias ao lado de seu contemporâneo Charlie Parker, cujas inovações no saxofone tenor emparelham-se ao desenvolvimento das inovações de Gillespie. Juntos foram responsáveis por trazer ao contentamento o estilo conhecido por "bebop" - nome inspirado na abrupta frase de duas notas ouvida, por exemplo, na melodia de "Groovin' High".
Titulo: Dizzy Gillespie – parte 1
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Tradução
Data de publicação: 24 de novembro de 2003
Resumo: um exercício de tradução e um pouco de jazz…
Faço minhas as palavras do Mário.Parabéns.
Bom, Picollo, muito bom. Tanto a iniciativa da tradução, quanto o tema em questão. Belíssima Jam Session!
Dizem que o jazz é a música barroca do século XX. Gostei da escolha do tema.
O texto e a tradução estão ótimos. Aguardo a continuação.
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Alê, jazz (infelizmente) não é meu forte, mas o texto está bem escrito e prende o leitor, mesmo os não-entendidos… Beijos, Marilda