Tradução por Alexandre Piccolo
24 de novembro de 2003

Como personalidade líder de seu meio aparentemente revolucionário, Gillespie foi suficientemente bem conhecido no inverno de 1943-44 por levar seu grupo a um dos clubes da "Fifty-Second Street" de Nova Iorque, a Meca do período para as pequenas bandas de jazz. Quando Parker voltou à Nova Iorque um ano depois, os dois fizeram várias aparições e uma série de gravações juntos que ainda são consideradas clássicas, como "Groovin' High", "Dizzy Atmosphere" e a versão alternativa de "Salt Peanuts". Todas são composições de Gillespie e, além das frases longas e imprevisíveis características do bebop, os temas principais de Atmosphere e Peanuts revelam seu amor eterno pelo swing das big bands. Não é de se supreender que, na segunda metade de 1940, ele desenvolveu boa parte de sua fértil produção, criando peças excitantes e atemporais como "Manteca" (com o percursionista cubano Chano Pozo) e a estonteante "Things to Come".
Ele se integrou a muitos dos músicos promissores que vinham explorar suas próprias carreiras, como o pianista John Lewis e vibrafonista Milt Jackson (que se tornaram membros chaves do Modern Jazz Quartet) e os saxofonistas James Moody e John Coltrane. No entanto, a economia do negócio das bandas ditou para a carreira de Gillespie, dos anos 50 em diante, a liderança de quintetos e sextetos, e excursões para apresentações grandiosas, como o "Jazz at the Philarmonic" e o "Giants of Jazz". Felizmente, ele também se envolveu com grupos de estrelas furtivas concentradas em solos de uma única sessão de estúdio, incluindo a reunião de 1950 com Parker e o pianista Thelonious Monk (a única vez em que os três gravaram juntos) e o encontro de 1957 com os saxofonistas Sonny Stitt e Sonny Rollins.
Por duas vezes, entretanto, Dizzy desafiou as imposições econômicas e reuniu novas big bands. A primeira, em atividade de 1956 a 1958, se reuniu de forma a permitir que Gillespie pudesse agir como embaixador musical no meio-leste e na América do Sul. Fundada pelo Departamento de Estado Norte-Americano, a banda possuía músicos negros e brancos para provar quão bem integrada a sociedade americana estava se tornando. Mas ele continuava a agendar viagens de volta sempre que podia - e gravar faixas incríveis, como "Birk's Works". Nos últimos anos de vida (ele faleceu em 1993), Dizzy montou uma big band não tão regular chamada United Nation Orchestra, cujos músicos eram vários de seus "pupilos", entre eles os trompetistas Jon Faddis e Arturo Sandoval, o pianista Danilo Perez e o saxofonista Paquito D'Rivera. Destacadamente, estes últimos três e outros membros emigraram para os Estados Unidos dos mesmos países da América Latina cuja música sempre intrigou Gillespie nos idos anos 30.
Que a cena do jazz gradualmente evoluiu com ele na segunda metade de sua longa carreira foi primeiramente demonstrado nos anos 60 quando, quinze anos depois de ter criado "Manteca", a bossa nova brasileira se tornou um sucesso internacional. Gillespie recebeu canções como "Chega de Saudade", de Antônio Carlos Jobim, como adições ao seu repertório e também como prova de sua influência mundial. Da mesma forma, a linguagem melódica e rítmica do bebop - de quem ele foi um verdadeiro instrumento criador no início dos anos 40 - não mais era, por volta de 1970, uma atividade menor. Ao contrário, se tornou universalmente conhecida como a maneira clássica de se tocar jazz, e a forma artisticamente mais exigente de música até então.
Titulo: Dizzy Gillespie – parte 2
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Tradução
Data de publicação: 24 de novembro de 2003
Resumo: a continuação de um exercício…
Como disse antes, gostei da escolha do tema. Muito feliz. Fica como sugestão complementar o filme BIRD, que conta a história de Parker. Acho que dá uma boa dupla com sua tradução, assim como Gillespie e Parker fizeram no palco.
Curti. Um pouco de história, um pouco de exercício e um pouco de música. Novamente, beleza de continuação e tradução.
Alex! blz de exercício. Boa tradução, boa prosa, bom assunto. Excelente exercício! um abraço!
Bad Behavior has blocked 21 access attempts in the last 7 days.
Oi Alê, tudo o que eu posso dizer sobre o jazz, além de ser uma música que amo é “Não se preocupe em ‘entender’. Viver ultrapassa todo entendimento” (Clarice Lispector)