Tradução por Alexandre Piccolo
24 de março de 2003

São tantas as coisas que me motivam a escrever, sobre inúmeros motivos, que inúmeras vezes me perco nesta repetida infinitude e acabo fazendo nada (ou mais do mesmo). Para não entrar na consagrada mesmice, não falo aqui de guerras, de filmes, não faço resenha, sequer ficção. Resolvi, pois, inaugurar um novo gênero, a tradução, que promete ser mais uma atividade literária importante dum homem de letras em plena aprendizagem e constante crescimento.
Como quem quer se tornar musculoso principia por uma flexão, começo com um exercício simples, mas que me atrai há muito: traduzir um pequeno poema. Uma infinidade de tradutores, técnicas, abordagens, estilos e filosofias podem ser levantados sobre este assunto, mas deixo o mote pra depois. É necessário começar. E pronto.
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Desjejum da manhã
Ele colocou o café
no copo
Ele colocou o leite
no copo de café
Ele colocou o açúcar
no café com leite
Com a colherzinha
mexeu
Bebeu o café com leite
e descansou o copo
sem nada me falar
Ele acendeu
um cigarro
Fez arcos
com a fumaça
Bateu as cinzas
num cizeiro
sem nada me falar
sequer me notar
Ele se levantou
Arrumou
seu chapéu na cabeça
Colocou
sua capa de chuva
porque chovia
E ele partiu
debaixo da chuva
sem uma fala
sem sequer me notar
E, eu pus
as mãos no rosto
E chorei.
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Jacques Prévert nasceu em 4 de fevereiro de 1900, na pequena Neuilly-sur-Seine, um vilarejo repleto de burgueses devotos. Dedicou-se de maneira geral às artes, inclusive às novidades do cinema e da animação, participou de importantes movimentos, correntes e escolas artísticas, bem como conheceu consagradas personalidades de sua época. Com especial afinco ligou-se à poesia. Em 1945, ano da morte de sua mãe, publicou Paroles, obra marco em sua carreira, um conjunto de poemas muito bem recebido pela crítica e pelo público. Morreu em 11 de abril de 1977.
Titulo: Primeira tradução
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Tradução
Data de publicação: 24 de março de 2003
Resumo: uma primeira (tentativa de) tradução - tarefa árdua…
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Grande iniciativa a da tradução e da pequena biografia. Este trabalho exige realmente muito tempo, dedicação e sensibilidade. Conheci o poema em frances e, se bem me lembro, a tradução aqui parece muito fiel. Mas, daria uma sugestão, já que falamos de fidelidade: há momentos em que ela pode, senão deve (apenas na tradução, é claro) ser parcialmente rompida. Por exemplo, os últimos versos talvez estivessem melhor na forma seguinte: “E eu,pus as mãos no rostoe chorei.”ou:”E eu, apoiei nas mãos o rostoe chorei”.Só sugestões…